MULHERES DE 30 ANOS


AS ESCOLHAS DA NOSSA VIDA

Por: Ana Paula Padrão

"A vida real não é feita de conquistas efêmeras, mas de relações que estarão lá para sempre. Marido, amigos, família, são eles que vão ficar do seu lado quando a empresa onde você trabalha não fizer mais parte do seu dia-a-dia.
Eu, como quase todas as mulheres da minha geração, passei por uma fase de dedicação total à carreira. Seguimos à risca os conselhos de nossa mãe:
'Seja independente, não dependa de marido!' Mas, para conquistar nosso espaço relegamos o emocional a segundo plano. Todas queríamos vencer como os homens, ter poder como os homens. Não me arrependo, sinto orgulho do que construí. Porém, se tivesse que dar um conselho a você, diria 'Vá com calma!'.
Hoje a realidade é outra. Não precisamos deixar nosso universo para adotar o deles. Dá para incorporar o que há de melhor nos dois. E, principalmente,ouvir nossa voz interior, que é a melhor guia. Foi o que fiz quando, depois de 18 anos na Rede Globo, mudei para o SBT. Até então, não consegui ir a UM aniversário de amigos, nem jantar com a família. Não via meu marido, Walter, a semana inteira! Chegava em casa às 2 da manhã; ele acordava às 7. Para que a gente se comunicasse, até comprei um quadro branco e instalei no quarto. Aí, anotava: 'Amor, não esquece de fazer tal coisa'. beijo, saudades'. O Walter lia, apagava e escrevia a resposta. Na sexta, ele me esperava e íamos deitar às 4 da madrugada. Conclusão: o sábado começava às 2 da tarde e, evidentemente, acabava num piscar de olhos. Isso quando eu não tinha plantão e passava o dia no Rio de Janeiro.
Durante dois anos, tentei negociar um horário melhor. Até que cheguei ao limite do meu coração e repensei minha carreira. Você deve estar se perguntando : 'Como ter coragem para largar um emprego em troca da felicidade? ' Bem, é preciso confiar na tal voz interior. Nesse aspecto, tenho segurança, aprendi a acreditar na minha capacidade de trabalho.
Mas não pense que não fiquei tensa! Chorei muito, tive noites de insônia, pois gostava do que fazia. Precisei da força do meu marido, que deixou claro: me apoiaria em qualquer escolha.
Acho que sem o Walter não teria conseguido ir em frente. Quando penso que só nos conhecemos há 3 anos... queria ter passado A VIDA ao lado dele.
Nossa história já começou especial: em abril de 2002, entrevistei-o para o Jornal da Globo e, depois da gravação, conversamos sobre trabalho, viagens.
Contei que na semana seguinte ia para a a França, trocamos cartões e só.
Quando já estava em Paris, eis que o telefone do hotel toca. Perguntei:
'Você veio para um congresso?
' A resposta: 'Não, vim te convidar para jantar'. Casamos quatro meses depois.
Sei que uma relação assim não brota em cada esquina. Também, hoje há um desencontro de papéis. Batalhamos para ter o que era de domínio masculino e eles ficaram perdidos. Acredito que num relacionamento bem-sucedido há o meio-termo.
Mas, para isso acontecer, a mulher deve deixar o homem participar do seu universo. E GOSTAR disso!
Meus próximos planos? Me dedicar ao novo emprego sem abrir mão da parte pessoal. Ainda gostaria de ser mãe, sim, mas decidimos esperar um pouco. Já passei por quatro longos tratamentos para engravidar. Em um deles, perdi o bebê na oitava semana de gestação. Os médicos disseram que o meu horário de trabalho era um dos grandes obstáculos. Claro que, se acontecer, esse filho será muito bem-vindo. Mas o importante é que estou tão feliz! Tomara que você também consiga achar o seu ponto de equilíbrio e, assim como eu, não tenha medo de lutar por seus sonhos."

A JORNALISTA É CASADA COM WALTER MUNDELL, COM QUEM, AGORA, DEPOIS DE TRÊS
 ANOS JUNTOS, VAI AO CINEMA À NOITE.



Escrito por Pri às 15h31
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EXORCIZANDO...

Foram quase 3 meses de uma história q começou de um modo surpreendente. Uma história q foi vivida de maneira solitária.

 

Hj foi o fim.

 

Com direito a e-mail de despedida...

 

Todos os e-mails recebidos deletados da Caixa de Mensagens...

 

Todos as mensagens do celular apagadas...

 

Qualquer lembrança afastada...

 

Contato no msn bloqueado... E histórico de mensagens deletado...

 

Perfil no Orkut q não será novamente acessado...

 

E a comemoração do fim de um ciclo com direito à trilha sonora...

 

Não Vale a Pena
                              Composição: J. E P. Garfunkel

Ficou difícil
Tudo aquilo, nada disso
Sobrou meu velho vício de sonhar
Pular de precipício em precipício
Ossos do ofício
Pagar pra ver o invisível
E depois enxergar
Que é uma pena
Mas você não vale a pena
Não vale uma fisgada dessa dor
Não cabe como rima de um poema
De tão pequeno
Mas vai e vem e envenena
E me condena ao rancor
De repente, cai o nível
E eu me sinto uma imbecil
Repetindo, repetindo, repetindo
Como num disco riscado
O velho texto batido
Dos amantes mal-amados
Dos amores mal-vividos
E o terror de ser deixada
Cutucando, relembrando, reabrindo
A mesma velha ferida
E é pra não ter recaída
Que não me deixo esquecer
Que é uma pena
Mas você não vale a pena



Escrito por Pri às 10h37
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De Caso com a Secretária Eletrônica

 

Tem um cara q está de caso com a minha secretária eletrônica.

 

Ele me liga qdo eu estou. Mas ele também me liga exatamente qdo sabe q não estou. E deixa recado com uma voz doce e cheia de sotaque, conversando com a secretária como se estivesse falando comigo.

 

E aí qdo eu chego, vou checar se tem recados e aquela gravação padrão da Telefônica me avisa: ‘vc tem mensagem em sua caixa postal’. É ele. Um por dia pelo menos. E o q eu faço? Aperto a tecla 2: ‘salvar mensagem’.

 

E aquele recado fica gravado para qdo eu sinto saudade de ouvir a voz dele. Tá bom q tem mensagem no orkut, e-mail, conversa pelo msn... Mas sabe q há muito tempo ninguém falava tanto com a minha secretária eletrônica?!

 

Fala sério! O pior é eu ainda salvar a mensagem... Cada coisa boba q a gente faz!!!



Escrito por Pri às 18h54
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CONFLITOS...

Estava pensando outro dia na quantidade de histórias paralelas q ando vivendo...  E não sou só eu... Com todo mundo é assim.  São pessoas diferentes, situações, conflitos q fazem a vida parecer um livro, um filme. Todas as vidas são altamente interessantes. Todo mundo tem várias histórias pra contar. Até é esse o propósito desse blog. Contar as muitas histórias de uma certa fase mais delimitada, pra não ampliar demais...

 

Às vezes tenho uma certa dificuldade em escolher as histórias e os temas. Primeiro pq são muitas histórias. E depois pq ando com uma necessidade fora do normal de escrever sobre mim mesma. Escrever sempre me faz ver tudo mais claramente e coloca meus sentimentos no lugar.

 

Tantas pessoas diferentes são importantes pra mim neste momento. Tantas situações novas q estou vivendo. Tantos conflitos já antigos q ainda estão presentes e eu não consigo modificar. Vai chegar o tempo em q vou estar ocupada demais vivendo, pra me ocupar com esse tipo de reflexão? Lembro de uma época, qdo eu estagiava o dia todo num Instituto de Psicologia, fazia a faculdade à noite, de 2ª  a sábado, namorava e meu namoro estava numa fase de viajarmos quase todo fim de semana. Ainda assim eu sempre tinha um tempo pra mim. E joguei fora outro dia muita coisa q escrevia nessa época. Faz parte de mim, independente do tempo q eu tenha livre, eu escrevo, eu racionalizo, eu penso, eu analiso... É como um vício, uma necessidade de me controlar, de sempre saber o q se passa dentro de mim para q eu não corra o risco de ser impulsiva, de fazer algo impensado. É um limite muito tênue entre o controle excessivo e o receio do descontrole total, de quebrar regras, de se jogar na vida.

 

Jogar-se na vida aos 30 anos? Com uma filha pequena pra criar? Com um passado?  Com uma consciência vigilante e um superego q tem o tamanho do mundo? Não parece pra mim. Ao mesmo tempo, talvez fosse a única coisa q poderia quebrar o meu receio de mudança. Talvez fosse o divisor de águas. O q de tão grave pode acontecer q não tenha condições de ser remediado? Eu estou ganhando alguma coisa sendo tão certinha em TODOS os setores da minha vida? Pensar, escrever, pensar novamente, lamentar, escrever de novo... E o momento da ação, qdo chega? E a hora de virar a mesa? Qdo será a situação do basta? Qdo vou conseguir parar de dissociar sentimento, desejo, emoção de uma ‘razão excessivamente raciocionada’? Ontem mesmo estava conversando sobre isso com uma pessoa... E essa conversa me fez ver o qto ando cansada de fugir de situações de risco. Fugir e pensar em demasia pode ser mais cansativo do errar e consertar o erro.

 

Mas pra q eu estou me expondo desse jeito mesmo? Eu sei... Pq todo mundo faz suas reflexões. Não sou diferente de ninguém. Pq não tenho o menor receio de dizer essas coisas. Pq sei q muitas pessoas sentem-se desse modo. Ou de outros modos... E pra mim, escrever se torna libertador... Colocar aqui praticamente é uma catarse... Enfrentar e fazer a exposição pode ter algo estranhamente libertador...



Escrito por Pri às 12h27
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DEVANEIOS...

Às vezes eu queria poder simplesmente escrever... Sem me preocupar com delimitação de tema, em fazer uma história com sentido, tendo começo, meio e fim... Queria somente ir expondo pensamentos, sensações, mesmo q elas não tivessem ordem e não fizessem o menor sentido.

 

Gostaria de falar sobre mim. Contar como eu estou, o q se passa pela minha cabeça, as diferentes experiências q eu tenho tido, conclusões a q tenho chegado, citar nomes e datas, descrever cada colorido de cenas, falar sobre a trilha musical...

 

Mas a vida não pode e não deve ser dissecada em público. Tudo só faz sentido dentro de um contexto. As palavras racionalizam sentimentos e estes, acabam se perdendo quando têm q ser explicados demais. Daí a importância de viver intensamente. Tudo acontece muito rápido... Pessoas vêm e vão... Tudo parece tão efêmero, pouca coisa permanece ou existe por si só.

 

Não aprendi a lidar com a rotina. Com a mesmice. Com a obrigação e o compromisso. Premissas da responsabilidade e do amadurecimento. Será q levo a imaturidade dentro de mim? Será q alguém é diferente disso? Como eu queria um dia por ano para fazer tudo q eu tivesse vontade, para dizer o q precisasse ser dito, para apenas me negar a cumprir obrigações e sair por aí, acompanhada por mim mesma, passeando numa praia deserta, sentindo o vento no rosto e a água gelada do mar aos pés, numa cena completamente clichê...

 

Mas as palavras têm peso. As ações têm conseqüência, existe passado, presente e futuro e as pessoas têm memória. Isso impede a ação irrefletida, impulsiva, descompromissada. E muitas vezes impede a ação intuitiva, criativa, o q é pior.

 

Cumprir exigências sociais pelo simples fato da dificuldade em lidar com o ‘voltar atrás’... Mudar de idéia dá trabalho. Geralmente envolve outras pessoas. Existem muitas implicações qdo se faz a opção por transformar e buscar a felicidade de outra forma.

 

Tudo parece sem nexo? Meu texto parece sem sentido? Eu usei tantos parágrafos para não chegar a lugar algum? Nada disso me importa. Era esse mesmo o objetivo. Não quis contar nada. Não quis explicar nada. A intenção foi simplesmente usar as palavras para delinear sentimentos, pensamentos... Como estes não tem forma e nem explicação... Cumpri com o objetivo a q tinha me proposto inicialmente. Ler a desorganização, a falta de lógica, o caos, com certeza é muito mais fácil do q viver isso internamente em alguns momentos...



Escrito por Pri às 10h20
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CIÚMES...

CIÚME: (1) Inquietação mental causada por suspeita ou receio de rivalidade no amor ou em outra aspiração. (2) Vigilância ansiosa ou suspeitosa nascida dessa inquietação. (3) Ressentimento invejoso contra um rival ou suposto rival mais eficiente ou mais bem-sucedido, ou contra o possessor de uma vantagem material ou intelectual cobiçada. (Dicionário Michaelis)

 

Podemos ter ciúmes de irmãos, amigos, namorados, maridos, enfim... Sentimento muito comum, q é tido como causa primeira de ações impulsivas e passionais. No mínimo pode favorecer uma situação em q ridiculamente somos denunciados em nosso sentimento. O ciúme tem graduações e pode causar uma imensa gama de reações das pessoas.

 

Mas vou falar aqui sobre uma situação em q o ciúme é velado, não declarado e a pessoa q sentiu nem percebe. Nega. Recusa. Sequer chega a entrar em contato com o verdadeiro motivo da sua reação muitas vezes exagerada. Acho q todo mundo já passou por uma situação assim. Ou assistiu alguém tendo a crise de ciúmes ou sendo o próprio autor da crise. Muitas vezes já estivemos em ambos os papéis.

 

Marcelo liga pra Carol, sua colega de faculdade, num Domingo às 16h:

 

- Oi, Carol, liguei pra saber se vc realmente vai chegar mais cedo amanhã pra podermos terminar aquele trabalho  q tem q ser entregue na terça feira...

Ele ouve vozes, música, risadas... Aquilo incomoda. O bom humor q ele estava por falar com ela num dia q não era comum, transformou-se de repente em mau humor.

- Oi, Marcelo. Tudo bem? Como foi seu fim de semana? Vou sim, chego 1 hora mais cedo pra garantir q vamos terminar.

- Está tendo festa aí, Carol?

- Meu irmão fez um churrasco pra uns amigos. Estamos aqui. Mas daqui a pouco está acabando. Sabe como é, Domingo... Amanhã todo mundo trabalha...

- Vai lá, Carol. Não quero te atrapalhar. Vá ficar com seus amigos. Parece q a festa está animada. A gente se fala amanhã mesmo...

- Não, Marcelo, não é festa não... São só alguns amigos do meu irmão. Eu posso falar... Deixa só eu avisar q vou atender o telefone lá em cima...

- Não, Carol, não precisa. Só liguei pra saber se vc iria mesmo amanhã. Vai ficar com seus amigos.

 

Despediram-se. Carol ficou frustrada por não conversar mais um pouco com Marcelo e sentiu q ele não fazia mesmo muita questão de falar com ela naquele momento. E Marcelo desligou o telefone muito bravo, incomodado, imaginando Carol no meio dos amigos do irmão dela. Ele queria estar lá no lugar deles, junto dela. Fazendo o q eles teriam chance e ele não, por estar distante.

 

Ele perdeu uma grande oportunidade. Não percebeu o interesse da Carol em estar conversando mais com ele. Deixou o ciúme tomá-lo, não percebeu a fala da Carol e ainda repeliu-a, mais de uma vez, falando para ela ir ficar com os amigos dela. Ocasião perdida. Stress desnecessário. Situação ridícula. Carol ficou pensando q ele não fazia questão de falar com ela e Marcelo ficou sem falar com Carol. E ainda ganhou um sentimento de mal estar imaginando a tal ‘festa’ e achando q ela preferia qualquer um a ele. E ainda tem a pior parte: ele nem chegou a perceber q tamanho incômodo ao desligar o telefone e o péssimo fim de Domingo q ele passou foi exatamente por causa do ciúme q ele ficou de Carol. Nem conseguiu se dar conta dos sentimentos q estavam aparecendo... Os dois saíram perdendo. Desperdício de oportunidade!

 

Atenção aos próprios sentimentos faz bem, evita o stress e não repele as pessoas!



Escrito por Pri às 12h53
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