Era uma Vez...
... uma menininha q foi deixada no Planeta Terra por engano. Ela veio bebezinha, a cara da mãe e do pai da Terra, mas com o gênio completamente diferente dos dois. Qdo ela era pequena, queria crescer logo, achava muito chato ter q obedecer coisas q ela não entendia e acatar regras q ela criticava.
Sempre foi muito sensível. Percebia tudo o q acontecia ao seu redor. Era a confidente e a conselheira das amiguinhas. E logo q tornou-se uma adolescente percebeu q exercia um poder diferente sobre os homens. Ela sabia como se comunicar com o universo masculino.
Porém sentia-se eternamente deslocada, não pertencendo àquela família, àquele local, não concordava com as injustiças sociais, tinha muita resistência às religiões, odiava política e sentia-se presa qdo submetida à regras. Qualquer tipo de preconceito revirava seu estômago. E sempre virava defensora das causas das minorias.
Defendia todos os vilões. De livros, novelas e seriados. Achava-os infinitamente mais interessantes do q os mocinhos com suas personalidades empobrecidas e previsíveis. Não entendia como as pessoas conseguiam ser tão maniqueístas e adorava o tom acinzentado do ser humano: nada no mundo poderia ser apenas branco ou preto.
Cresceu gostando de ler, escrever, de música, de poesia e de observar o comportamento humano. Quis ser professora, jornalista e médica, mas acabou optando pela psicologia. Queria viajar muito, conhecer muitos homens, lugares diferentes, abraçar causas nobres, viver de maneira livre. Experimentar diferentes sensações, conhecer o gosto das frutas mais exóticas. Mas acabou seguindo um padrão tradicional: namorava certinho, fez faculdade, pós graduação, acabou casando com um desses namorados e tendo uma filha.
De repente a realidade bateu à sua porta e veio relembrá-la q ela não era deste mundo. E não conseguiria se adaptar ao senso comum do ser humano. Pensava demais, questionava demais, sofria sempre intensamente.
A vida se encarregou de mostrar q estava na hora de ela realizar tudo a q se negara, tentando adequar-se aos padrões de normalidade dos humanos. Não havia como fugir: ela tinha um compromisso maior. Consigo mesma e com o mundo. Chegara o momento da transição. Ou ela se curvava ao fracasso e se acomodava à sua condição pseudo-humana ou teria q rasgar-se até encontrar a si mesma nua, sem suas vestes q a tornavam similar às pessoas q andavam pelas ruas.
E é neste momento q inicia-se esta estória. Ela está decidindo se vale a pena acomodar-se e viver de uma maneira morna, abrindo mão de quem realmente ela é, ou então, fazer uma viagem maluca pra dentro de si mesma e viver essa loucura q deve estar oculta no seu dia-a-dia para conseguir cumprir sua missão.
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